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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
OFICINA DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS PARA EDITAIS DE CULTURA
Dia 26 de novembro, às 9hs da manhã, no Edifício Zé Carvalho, sala 204, localizado na Avenida Dom Severino, próximo do Posto 6, O Núcleo de Quadrinhos do Piauí irá realizar uma oficina gratuita aberta a todos os interessados em participarem do edital BNB de Cultura! São R$ 8 milhões em patrocínio. Como a Feira HQ já foi aprovada 6 vezes nesse edital, queremos continuar tentando mas diversificar na apresentação de projetos. O legal seria se cada membro, cada sócio do NQ apresentasse uma proposta... Vamos nos organizar e fazer uma grande oficina e apresentar pelo menos uma dúzia de projetos!!!
Para os interessados irem logo se adiantando, leiam aqui:
http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/Eventos/ProgramaBNB_deCultura/gerados/apresentacao.asp
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Projeto de Lei de Incentivo aos Quadrinhos Nacionais
Senhores (as), como já foi anunciado anteriormente aqui em nosso blog, o projeto de Lei de Cota dos Quadrinhos Nacionais (2006), do ex-deputado Simplício Mário, será revisto pela atual deputada Iracema Portela.
Como devem saber, a proposta deste projeto de Lei teve a iniciativa do Núcleo de Quadrinhos do Piauí ainda em 2006 e agora retomamos o assunto propondo algumas mudanças.
A proposta de lei de 2006 obrigava as editoras a publicarem uma cota mínima de quadrinhos nacionais. Acreditamos que a obrigatoriedade em questão foi o fator principal para o arquivamento do projeto, pois prejudicava as editoras que não deveriam ser forçadas a publicar material que não fosse de seus interesses, portanto, nossa intenção agora é rever esse ponto, transformando a obrigatoriedade em incentivos fiscais: se a editora atingir essa cota mínima anual de quadrinhos nacionais em bancas e livrarias ela teria certos privilégios.
Agora o que realmente falta para que essa nova proposta esteja pronta? Justamente as informações dos detalhes, que seriam:
a) Qual a porcentagem mínima dessa cota? 20%? 30%?
b) Como seria proposto esse incentivo fiscal? Redução em custos com material ou serviços? Redução em impostos? Quanto seria essa redução?
c) Como seria avaliado a quantidade de quadrinhos nacionais impressos? Quantidade de títulos? Número da tiragem impressa? Por páginas de quadrinho nacional publicado?
Para respondermos essas perguntas é preciso termos em mente que este novo projeto deve agradar aos desenhistas nacionais, às editoras e a receita nacional. Só assim o projeto irá pra frente e funcionará. Portanto é fundamental a participação de todos os interessados para construirmos o projeto de lei o mais viável possível.
Participem! Temos pressa! A ideia é apresentar o projeto de lei ainda em setembro deste ano.
Leia aqui o antigo projeto na íntegra:
http://nucleodequadrinhospi.blogspot.com/2011/08/projeto-de-lei-de-cota-de-quadrinhos.html
Como devem saber, a proposta deste projeto de Lei teve a iniciativa do Núcleo de Quadrinhos do Piauí ainda em 2006 e agora retomamos o assunto propondo algumas mudanças.
A proposta de lei de 2006 obrigava as editoras a publicarem uma cota mínima de quadrinhos nacionais. Acreditamos que a obrigatoriedade em questão foi o fator principal para o arquivamento do projeto, pois prejudicava as editoras que não deveriam ser forçadas a publicar material que não fosse de seus interesses, portanto, nossa intenção agora é rever esse ponto, transformando a obrigatoriedade em incentivos fiscais: se a editora atingir essa cota mínima anual de quadrinhos nacionais em bancas e livrarias ela teria certos privilégios.
Agora o que realmente falta para que essa nova proposta esteja pronta? Justamente as informações dos detalhes, que seriam:
a) Qual a porcentagem mínima dessa cota? 20%? 30%?
b) Como seria proposto esse incentivo fiscal? Redução em custos com material ou serviços? Redução em impostos? Quanto seria essa redução?
c) Como seria avaliado a quantidade de quadrinhos nacionais impressos? Quantidade de títulos? Número da tiragem impressa? Por páginas de quadrinho nacional publicado?
Para respondermos essas perguntas é preciso termos em mente que este novo projeto deve agradar aos desenhistas nacionais, às editoras e a receita nacional. Só assim o projeto irá pra frente e funcionará. Portanto é fundamental a participação de todos os interessados para construirmos o projeto de lei o mais viável possível.
Participem! Temos pressa! A ideia é apresentar o projeto de lei ainda em setembro deste ano.
Leia aqui o antigo projeto na íntegra:
http://nucleodequadrinhospi.blogspot.com/2011/08/projeto-de-lei-de-cota-de-quadrinhos.html
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
HISTÓRIA DOS FANZINES PIAUIENSES
O Núcleo de Quadrinhos do Piauí irá apoiar a publicação de um livro de autoria de Bernardo Aurélio sobre a história dos Fanzines de quadrinhos no Piauí (recorte de 1999 a 2011). O autor está revendo todo o texto (que foi originalente publicado no Zine "PI") e muitos autores piauienses serão citados! Solicitamos a ajuda de todos para ajudarem com os custos de impressão.
Provavelmente o livro será grampeado, com capa colorida, muitas ilustrações e ficará com umas 52 páginas... Será feito um orçamento e uma arrecadação com todos os citados e interessados em ajudar a financia-lo.
Abaixo segue o resumo do artigo:
Resumo: O presente artigo apresenta e analisa os fanzines sobre quadrinhos produzidos no Piauí entre os anos de 1999 até 2011, quando foi acumulada uma quantidade significativa dessas revistas, em grande parte incentivados pelo evento Feira HQ, organizado pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí e que, inclusive, premiava essas publicações. O estudo parte das definições do termo “fanzine” e suas interpretações levantadas por estudiosos diversos, como Henrique Magahães, Gazy Andraus e Edgar Franco, que dividiu os tipos de fanzines em quatro categorias básicas que utilizamos aqui: linha tradicional, linha poético-filosófica, linha visceral-macabra e linha expressionista. Fanzines servem como laboratório e portfólio para a maioria dos envolvidos, e alguns fanzineiros que se auto-editaram há mais de 10 anos, hoje são profissionais trabalhando no mercado nacional ou internacional de quadrinhos.
Provavelmente o livro será grampeado, com capa colorida, muitas ilustrações e ficará com umas 52 páginas... Será feito um orçamento e uma arrecadação com todos os citados e interessados em ajudar a financia-lo.
Abaixo segue o resumo do artigo:
Resumo: O presente artigo apresenta e analisa os fanzines sobre quadrinhos produzidos no Piauí entre os anos de 1999 até 2011, quando foi acumulada uma quantidade significativa dessas revistas, em grande parte incentivados pelo evento Feira HQ, organizado pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí e que, inclusive, premiava essas publicações. O estudo parte das definições do termo “fanzine” e suas interpretações levantadas por estudiosos diversos, como Henrique Magahães, Gazy Andraus e Edgar Franco, que dividiu os tipos de fanzines em quatro categorias básicas que utilizamos aqui: linha tradicional, linha poético-filosófica, linha visceral-macabra e linha expressionista. Fanzines servem como laboratório e portfólio para a maioria dos envolvidos, e alguns fanzineiros que se auto-editaram há mais de 10 anos, hoje são profissionais trabalhando no mercado nacional ou internacional de quadrinhos.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
Projeto de lei de cota de quadrinhos nacionais
Projeto de lei de autoria do ex deputado federal Simplício Mário, apresentado ainda em 2006 por influencia do Núcleo de Quadrinhos do Piauí (NQ). Leiam a proposta na íntegra abaixo.
O NQ pretende tornar esse projeto de lei em algo real, fazendo algumas modificações nessa proposta, como tirando a obrigatoriedade da cota e incentivando fiscalmente as editoras que atingirem essa quantidade mínima de quadrinhos nacionais.
PROJETO DE LEI N.º 6581/06
( Do Sr. Simplício Mário)
Estabelece mecanismos de incentivo para a produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta Lei estabelece incentivo para a produção e distribuição de histórias em quadrinhos de origem nacional no mercado editorial brasileiro.
Art. 2º As editoras deverão publicar um percentual mínimo de 20 por cento de histórias em quadrinhos de origem nacional, considerando-se o conjunto das publicações do gênero produzidas a cada ano, na forma da regulamentação.
§ 1º Considera-se história em quadrinhos de origem nacional aquela criada por artista brasileiro ou por estrangeiro radicado no Brasil e que tenha sido publicada por empresa sediada no Brasil.
§2º O percentual de títulos estipulado no “ caput” deste artigo será atingido da seguinte forma: cinco ( 5) por cento no primeiro ano de vigência desta lei; dez (10 ) por cento no segundo ano; 15 ( 15) por cento no terceiro ano, atingindo-se a cota de 20 por cento no ano subseqüente.
Art. 3º As empresas distribuidoras deverão ter um percentual mínimo de 20 por cento de obras brasileiras em quadrinhos entre seus títulos do gênero, obrigando-se a lançá-los comercialmente.
§1º O percentual de títulos e lançamentos a que se refere este artigo será implementado na forma prevista no § 2º do artigo anterior.
Art. 4º Em se tratando de veículos impressos de circulação diária, semanal ou mensal, deverá ser observada a relação de uma tira nacional para cada tira estrangeira publicada.
Art. 5º O Poder Público, por meio do órgão competente, implementará medidas de apoio e incentivo à produção de histórias em quadrinhos nacionais, tais como, estimular a leitura em sala de aula, promover eventos e encontros de difusão do mercado editorial de histórias com quadros em seqüência voltadas para o público infanto - juvenil e a inserção de disciplinas práticas, tais como roteiro e desenho, no currículo das escolas e universidades públicas.
Ar. 6º Os bancos e as agências de fomento federais estabelecerão programa específicos para apoio e financiamento à produção de publicações em quadrinhos de origem nacional, por empresa brasileira, na forma da regulamentação.
§1º Na seleção dos projetos, será dada preferência àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira.
§ 2º Os projetos financiados com recursos públicos deverão destinar percentual de, no mínimo, 10% da tiragem das publicações em quadrinhos para distribuição em bibliotecas públicas, na forma da regulamentação.
Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
Conhecida como “ banda desenhada”, “BD”, “história em quadrinhos” ou “HQ”, a narração de histórias de forma seqüencial, conjugando texto e imagens, publicadas no formato de revistas, livros ou em tiras, são um gênero de arte que conquistou o mundo.
Não há país que não mantenha uma legião de admiradores e colecionadores de histórias em quadrinhos, nos mais diversos formatos, estilos, gêneros e temas. Surgidas no século XIX, as histórias em quadrinhos tiveram o seu berço nos Estados Unidos,segundo alguns autores, com a publicação de “ As Canções de Cego”, editadas em 1820.
Alguns autores apontam, no entanto, que foi de Angelo Agostini, em 1869, no Brasil, a idéia de fazer histórias ilustradas quadro a quadro. A primeira revista em quadrinhos brasileira chamava-se “ Tico Tico” e acredita-se que foi a primeira do mundo a trazer histórias completas. Foi lançada em 1905 e em seus primeiros anos limitava-se a reproduzir os quadrinhos norte –americanos, principalmente Buster Brown e Tige de Richard Outcault ( renomeados como Chiquinho e Jagunço).
Mas, apesar de ser uma arte antiga no País, o mercado nacional de historinhas ilustradas sempre foi dominado pelas publicações estrangeiras, com personagens como Yellow Kid, o Super Homem, o Batman, Tintin, acompanhado do cão Milou, além de outros, como o marinheiro Popey e o detetive Dick Tracy.
Majoritariamente, os autores nacionais seguem o estilo comics ( como os quadrinhos norte-americanos ficaram conhecidos, em função do humor) dos super-heróis criados nos Estados Unidos. No caso dos Comics, alguns artistas brasileiros, agenciados nos Estados Unidos, conquistaram fama internacional, como Roger Cruz que desenhou o X-Men e Mike Deodato, que desenhou Thor, Mulher Maravilha e outros. Além dos comics, os desenhos brasileiros também foram fortemente influenciados pelos gibis japoneses, conhecidos como Mangá.
A tira é considerada como estilo mais identificado com o brasileiro, tendo sido usada, como elemento de resistência à ditadura militar ou de sátira aos costumes nacionais. Entretanto, apesar de estarem há mais de 100 anos no mercado nacional, e de terem ganhado o apelido de “ Gibi”, graças a uma revista lançada em 1939, os quadrinhos brasileiros nunca ganharam grande impulso.
Afora alguns títulos de menor expressão, o mercado brasileiro é identificado apenas por um grupo de personagens, criado por um artista nacional: a Turma da Mônica.
Atualmente, grande parte das revistas vendidas em bancas leva a assinatura de Maurício Souza, o “pai” de Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão e outras personagens que marcaram gerações no Brasil, mantendo sempre o mesmo estilo, a mesma mensagem, os mesmos papéis, mas em envelhecer ou perder a atualidade. Atualmente, as revistinhas da Turma da Mônica são um fenômeno mundial, tendo sido traduzidas para diversas línguas e sendo vendidas em inúmero países.
Para os estudiosos, o mundo dos quadrinhos, que já foi visto como inimigos da aprendizagem por educadores, hoje representa um retrato de valores e costumes de uma sociedade e reproduz para a criança um universo estável, em meio a tantas mudanças e à insegurança que cerca o cotidiano da vida moderna. Além de ser uma “ válvula de escape” para a fantasia infantil, os quadrinhos são uma grande forma de promover a cultura nacional.
O projeto que ora propomos leva em conta não apenas o potencial econômico do mercado consumidor brasileiro, que hoje beneficia apenas a indústria de entretenimento norte-americana e outras nacionalidades, mas também a importância de fomentar um elemento de identidade cultural e manifestação artística.
Por isso, sugerimos que sejam incentivadas as empresas que comprovem a publicação de, pelo, 20 % de material nacional. O percentual estabelecido é suficiente para romper a hegemonia estrangeira, mas sem impor uma limitação exagerada aos quadrinhos que vem de fora, não representando, assim, qualquer tipo de censura à liberdade de expressão e ao acesso à informação.
A analogia que fazemos é com a chamada “ cota de tela”, prevista no art.55 da Medida Provisória nº2.228-1, de 6 de setembro de 2001, que determina que “ por um prazo de vinte anos, contados a partir de 5 de setembro de 2001, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, por um número de dias fixado anualmente, por decreto, ouvidas as entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores.”
A “ cota de tela” constitui instrumento importante para incentivar a produção cinematográfica nacional, por meio da obrigatoriedade de exibição de uma quantidade mínima de películas nacionais nas salas de exibição de uma quantidade mínima de películas nacionais nas salas de exibição em todo o Brasil. Se temos as cotas para os filmes, podemos também ter as cotas para os quadrinhos, como uma política temporária de incentivo, a ser extinta no momento em que o setor se desenvolver e passar a caminhar de maneira autônoma.
Para que esse crescimento ocorra, também estabelecemos que caberá ao Poder Público, por meio de suas agências de fomento, financiar a produção de quadrinhos nacionais. Há vários anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES), por exemplo, criou uma linha de financiamento para patrocinar o cinema brasileiro, desde a produção até a exibição. Neste ano, destinou R$ 22 milhões para o setor, 46% a mais do que no ano passado.
Seguindo o mesmo modelo, e investindo um gênero de arte como os quadrinhos, estamos convictos de que poderemos aumentar a presença internacional do Brasil na área cultural, ainda considerada tímida e restrita basicamente às novelas, com exportações anuais de cerca de US$ 60 milhões. Podemos fazer como a Coréia, onde os quadrinhos receberam forte apoio estatal, e hoje são exportados para vários países, inclusive o Brasil.
Assim, sendo pedimos o apoio dos ilustres parlamentares para a aprovação da norma proposta.
Sala de Sessões, em de de 2006.
Deputado SIMPLÍCIO MÁRIO
O NQ pretende tornar esse projeto de lei em algo real, fazendo algumas modificações nessa proposta, como tirando a obrigatoriedade da cota e incentivando fiscalmente as editoras que atingirem essa quantidade mínima de quadrinhos nacionais.
PROJETO DE LEI N.º 6581/06
( Do Sr. Simplício Mário)
Estabelece mecanismos de incentivo para a produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta Lei estabelece incentivo para a produção e distribuição de histórias em quadrinhos de origem nacional no mercado editorial brasileiro.
Art. 2º As editoras deverão publicar um percentual mínimo de 20 por cento de histórias em quadrinhos de origem nacional, considerando-se o conjunto das publicações do gênero produzidas a cada ano, na forma da regulamentação.
§ 1º Considera-se história em quadrinhos de origem nacional aquela criada por artista brasileiro ou por estrangeiro radicado no Brasil e que tenha sido publicada por empresa sediada no Brasil.
§2º O percentual de títulos estipulado no “ caput” deste artigo será atingido da seguinte forma: cinco ( 5) por cento no primeiro ano de vigência desta lei; dez (10 ) por cento no segundo ano; 15 ( 15) por cento no terceiro ano, atingindo-se a cota de 20 por cento no ano subseqüente.
Art. 3º As empresas distribuidoras deverão ter um percentual mínimo de 20 por cento de obras brasileiras em quadrinhos entre seus títulos do gênero, obrigando-se a lançá-los comercialmente.
§1º O percentual de títulos e lançamentos a que se refere este artigo será implementado na forma prevista no § 2º do artigo anterior.
Art. 4º Em se tratando de veículos impressos de circulação diária, semanal ou mensal, deverá ser observada a relação de uma tira nacional para cada tira estrangeira publicada.
Art. 5º O Poder Público, por meio do órgão competente, implementará medidas de apoio e incentivo à produção de histórias em quadrinhos nacionais, tais como, estimular a leitura em sala de aula, promover eventos e encontros de difusão do mercado editorial de histórias com quadros em seqüência voltadas para o público infanto - juvenil e a inserção de disciplinas práticas, tais como roteiro e desenho, no currículo das escolas e universidades públicas.
Ar. 6º Os bancos e as agências de fomento federais estabelecerão programa específicos para apoio e financiamento à produção de publicações em quadrinhos de origem nacional, por empresa brasileira, na forma da regulamentação.
§1º Na seleção dos projetos, será dada preferência àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira.
§ 2º Os projetos financiados com recursos públicos deverão destinar percentual de, no mínimo, 10% da tiragem das publicações em quadrinhos para distribuição em bibliotecas públicas, na forma da regulamentação.
Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
Conhecida como “ banda desenhada”, “BD”, “história em quadrinhos” ou “HQ”, a narração de histórias de forma seqüencial, conjugando texto e imagens, publicadas no formato de revistas, livros ou em tiras, são um gênero de arte que conquistou o mundo.
Não há país que não mantenha uma legião de admiradores e colecionadores de histórias em quadrinhos, nos mais diversos formatos, estilos, gêneros e temas. Surgidas no século XIX, as histórias em quadrinhos tiveram o seu berço nos Estados Unidos,segundo alguns autores, com a publicação de “ As Canções de Cego”, editadas em 1820.
Alguns autores apontam, no entanto, que foi de Angelo Agostini, em 1869, no Brasil, a idéia de fazer histórias ilustradas quadro a quadro. A primeira revista em quadrinhos brasileira chamava-se “ Tico Tico” e acredita-se que foi a primeira do mundo a trazer histórias completas. Foi lançada em 1905 e em seus primeiros anos limitava-se a reproduzir os quadrinhos norte –americanos, principalmente Buster Brown e Tige de Richard Outcault ( renomeados como Chiquinho e Jagunço).
Mas, apesar de ser uma arte antiga no País, o mercado nacional de historinhas ilustradas sempre foi dominado pelas publicações estrangeiras, com personagens como Yellow Kid, o Super Homem, o Batman, Tintin, acompanhado do cão Milou, além de outros, como o marinheiro Popey e o detetive Dick Tracy.
Majoritariamente, os autores nacionais seguem o estilo comics ( como os quadrinhos norte-americanos ficaram conhecidos, em função do humor) dos super-heróis criados nos Estados Unidos. No caso dos Comics, alguns artistas brasileiros, agenciados nos Estados Unidos, conquistaram fama internacional, como Roger Cruz que desenhou o X-Men e Mike Deodato, que desenhou Thor, Mulher Maravilha e outros. Além dos comics, os desenhos brasileiros também foram fortemente influenciados pelos gibis japoneses, conhecidos como Mangá.
A tira é considerada como estilo mais identificado com o brasileiro, tendo sido usada, como elemento de resistência à ditadura militar ou de sátira aos costumes nacionais. Entretanto, apesar de estarem há mais de 100 anos no mercado nacional, e de terem ganhado o apelido de “ Gibi”, graças a uma revista lançada em 1939, os quadrinhos brasileiros nunca ganharam grande impulso.
Afora alguns títulos de menor expressão, o mercado brasileiro é identificado apenas por um grupo de personagens, criado por um artista nacional: a Turma da Mônica.
Atualmente, grande parte das revistas vendidas em bancas leva a assinatura de Maurício Souza, o “pai” de Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão e outras personagens que marcaram gerações no Brasil, mantendo sempre o mesmo estilo, a mesma mensagem, os mesmos papéis, mas em envelhecer ou perder a atualidade. Atualmente, as revistinhas da Turma da Mônica são um fenômeno mundial, tendo sido traduzidas para diversas línguas e sendo vendidas em inúmero países.
Para os estudiosos, o mundo dos quadrinhos, que já foi visto como inimigos da aprendizagem por educadores, hoje representa um retrato de valores e costumes de uma sociedade e reproduz para a criança um universo estável, em meio a tantas mudanças e à insegurança que cerca o cotidiano da vida moderna. Além de ser uma “ válvula de escape” para a fantasia infantil, os quadrinhos são uma grande forma de promover a cultura nacional.
O projeto que ora propomos leva em conta não apenas o potencial econômico do mercado consumidor brasileiro, que hoje beneficia apenas a indústria de entretenimento norte-americana e outras nacionalidades, mas também a importância de fomentar um elemento de identidade cultural e manifestação artística.
Por isso, sugerimos que sejam incentivadas as empresas que comprovem a publicação de, pelo, 20 % de material nacional. O percentual estabelecido é suficiente para romper a hegemonia estrangeira, mas sem impor uma limitação exagerada aos quadrinhos que vem de fora, não representando, assim, qualquer tipo de censura à liberdade de expressão e ao acesso à informação.
A analogia que fazemos é com a chamada “ cota de tela”, prevista no art.55 da Medida Provisória nº2.228-1, de 6 de setembro de 2001, que determina que “ por um prazo de vinte anos, contados a partir de 5 de setembro de 2001, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, por um número de dias fixado anualmente, por decreto, ouvidas as entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores.”
A “ cota de tela” constitui instrumento importante para incentivar a produção cinematográfica nacional, por meio da obrigatoriedade de exibição de uma quantidade mínima de películas nacionais nas salas de exibição de uma quantidade mínima de películas nacionais nas salas de exibição em todo o Brasil. Se temos as cotas para os filmes, podemos também ter as cotas para os quadrinhos, como uma política temporária de incentivo, a ser extinta no momento em que o setor se desenvolver e passar a caminhar de maneira autônoma.
Para que esse crescimento ocorra, também estabelecemos que caberá ao Poder Público, por meio de suas agências de fomento, financiar a produção de quadrinhos nacionais. Há vários anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES), por exemplo, criou uma linha de financiamento para patrocinar o cinema brasileiro, desde a produção até a exibição. Neste ano, destinou R$ 22 milhões para o setor, 46% a mais do que no ano passado.
Seguindo o mesmo modelo, e investindo um gênero de arte como os quadrinhos, estamos convictos de que poderemos aumentar a presença internacional do Brasil na área cultural, ainda considerada tímida e restrita basicamente às novelas, com exportações anuais de cerca de US$ 60 milhões. Podemos fazer como a Coréia, onde os quadrinhos receberam forte apoio estatal, e hoje são exportados para vários países, inclusive o Brasil.
Assim, sendo pedimos o apoio dos ilustres parlamentares para a aprovação da norma proposta.
Sala de Sessões, em de de 2006.
Deputado SIMPLÍCIO MÁRIO
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